F. F. Bosworth: música, evangelização e cura divina

 


Por Aristarco Coelho

Fred Francis Bosworth nasceu em 17 de janeiro de 1877, na região de Utica, Nebraska, nos Estados Unidos, em uma família metodista. Conhecido como F. F. Bosworth, tornou-se músico, pastor, evangelista e escritor. Sua trajetória atravessou as primeiras décadas do pentecostalismo e alcançou o movimento de campanhas de cura que ganhou projeção depois da Segunda Guerra Mundial. [1][2]

A música esteve presente em sua vida desde a infância. Bosworth aprendeu a tocar corneta, participou de bandas e chegou a exercer funções de direção musical. Antes de dedicar-se integralmente ao ministério, passou por diferentes ocupações, incluindo vendas, trabalho em fábrica e atividades bancárias. Essa experiência profissional compôs uma formação bastante diferente da carreira pastoral construída exclusivamente em instituições teológicas. [3]

Sua conversão ocorreu ainda na adolescência, em reuniões metodistas. Nesse período de juventude, enfrentou uma enfermidade pulmonar descrita nos relatos biográficos como tuberculose. Ele e seus biógrafos atribuíram sua recuperação à oração da evangelista Mattie Perry. Essa experiência ajudou a formar sua convicção de que Deus continuava agindo em favor dos enfermos e tornou-se uma referência recorrente na história de seu ministério. [3][4]

Já casado com Estelle, mudou-se para Zion, Illinois, comunidade religiosa vinculada a John Alexander Dowie. Ali trabalhou com música e entrou em contato com um ambiente de forte ênfase na cura divina. Em 1906, sob a influência de Charles Parham, aderiu à experiência pentecostal. A partir desse período, a pregação passou a ocupar um espaço crescente em sua atuação. [2][3][5]

Em Dallas, Texas, Bosworth participou da formação de uma comunidade que se tornaria importante para sua atividade pastoral. Em agosto de 1911, foi violentamente agredido em Hearne depois de pregar a pessoas negras, em um contexto marcado pela segregação racial. No ano seguinte, sua igreja recebeu reuniões de Maria Woodworth-Etter, outra influência relevante para sua compreensão da evangelização e da oração pelos enfermos. [4][6]

Bosworth esteve entre os participantes da formação das Assembleias de Deus nos Estados Unidos, em 1914. Sua permanência na denominação, porém, foi interrompida por uma divergência doutrinária: ele não aceitava que falar em línguas fosse a evidência inicial obrigatória do batismo no Espírito Santo. Em 1918, deixou a organização e expôs sua posição no livreto Do All Speak with Tongues?, sem abandonar sua identificação com a experiência pentecostal. [2][4][5]

Durante os anos 1920, suas campanhas nos Estados Unidos e no Canadá ampliaram sua projeção. Em 1924, publicou Christ the Healer, obra que reuniu sua interpretação bíblica sobre a cura divina e se tornou seu livro mais conhecido. Bosworth defendia uma relação entre a obra redentora de Cristo e a cura dos enfermos. Essa compreensão marcou parte do pentecostalismo e continuou sendo discutida por leitores e líderes de diferentes tradições cristãs. [4][5]

O rádio também se tornou um instrumento de seu ministério. Por meio da National Radio Revival Missionary Crusaders e de transmissões a partir de Chicago, alcançou pessoas que não estavam presentes nas campanhas. Sua ênfase na oração pelos enfermos não o impediu de expressar reconhecimento pelo auxílio de médicos, cirurgiões, hospitais e profissionais de enfermagem, como registra o estudo biográfico de Dean Merrill. [4][5]

Sua caminhada incluiu posições posteriormente revistas. Nos anos 1930, aproximou-se do chamado israelismo britânico, que identificava britânicos e americanos com as tribos perdidas de Israel; em 1944, retratou-se publicamente dessa crença. No período posterior à Segunda Guerra Mundial, atuou como orientador de evangelistas mais jovens e colaborou com William Branham. Também exerceu influência sobre T. L. Osborn, conectando gerações distintas do movimento de cura divina. [2][4]

Bosworth morreu em 1958, aos 81 anos. Seu nome permaneceu associado sobretudo a Christ the Healer, à evangelização pelo rádio e ao papel que desempenhou na circulação de ensinamentos sobre fé e cura. Sua biografia reúne dedicação ministerial, convicções debatidas e mudanças de posição. Conhecer esse percurso permite situar suas frases no ambiente histórico e teológico em que foram formuladas. [2][5]


Fontes

1. AZUSA STREET. F. F. Bosworth. Disponível em: https://www.azusastreet.org/Participant_Bosworth_F_F.htm. Acesso em: 1 nov. 2026.

2. BARNES, Roscoe; DUNCAN, Graham A. F.F. Bosworth: a historical analysis of his ministry development using social cognitive career theory. Verbum et Ecclesia, v. 32, n. 1, art. 368, 2011. DOI: https://doi.org/10.4102/ve.v32i1.368.

3. GRAVES, Dan. Bosworth, a CORONET, Christ, and Faith Healing. Christian History Institute. Disponível em: https://redeemtv.com/dailystory/permalink/bosworth-a-coronet-christ-and-faith-healing. Acesso em: 1 nov. 2026.

4. MERRILL, Dean. F. F. Bosworth (1877–1958). Biographical Dictionary of Global Spirit-Empowered Christianity. Disponível em: https://sedictionary.org/biographies/Bosworth-FF.php. Acesso em: 1 nov. 2026.

5. WHITAKER HOUSE. F. F. Bosworth. Disponível em: https://www.whitakerhouse.com/authors/f-f-bosworth/. Acesso em: 1 nov. 2026.

6. APOSTOLIC ARCHIVES INTERNATIONAL. Bosworth, F.F. (Azusa Revival). Disponível em: https://www.apostolicarchives.com/articles/article/8795590/173620.htm. Acesso em: 1 nov. 2026.

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